Liderança e Comunicação

Comunicação não-violenta é compatível com o empreendedorismo cristão?

Você já ouviu falar sobre a comunicação não-violenta?
Já a analisou sob uma perspectiva cristã?

Essa abordagem da comunicação tem muito a nos ensinar sobre a própria comunicação, mas também tem pontos contraditórios com a base do cristianismo.

Tem interesse em refletir sobre o assunto? Então continue aqui conosco! 😉

Antes de começarmos a analisar alguns tópicos sobre essa abordagem, é importante que você saiba sobre o que ela trata.

De uma forma bem simples, a comunicação não-violenta trata sobre uma comunicação baseada no entendimento das necessidades que estão por trás de todo discurso.

Ou seja, ouvir a própria fala, e também a dos outros, com um ouvido voltado para entender quais são os sentimentos e as necessidades que acompanham todos os discursos de acusação, reclamação e também os de agradecimento.

A princípio a abordagem é muito válida e nos incentiva a treinar uma escuta sem julgamento de valor.

Pode ser uma ferramenta muito útil no dia a dia de um empreendedor cristão.

O que precisamos estar atentos, quando estudamos mais a fundo essa abordagem, é sobre as nuances que existem entre o que se ensina e o que acreditamos como cristãos.

São sutis diferenças que podem nos parecer irrelevantes, mas que ao se incorporarem como verdades em nossa vida, nos afastam daquilo que a Bíblia nos diz.

Então vou comentar algumas ideias dessa abordagem que acho válido compartilhar.

Esses tópicos são baseados no livro Comunicação não-violenta: Técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais – Marshall B. Rosenberg

Natureza compassiva e Compaixão natural?

O autor enfatiza que precisamos resgatar a ideia de que a violência nos foi ensinada e que na verdade somos naturalmente compassivos e que temos uma compaixão natural.

Essa afirmação pode parecer inofensiva e até inspiradora, mas não é a verdade ensinada pela Bíblia.

Como cristãos acreditamos que já nascemos pecadores, que somos maus por natureza, e que toda a bondade vem da Graça de Deus.

Somos gratos por Deus nos enviar o seu Espírito Santo, por nos dar a fé e por nos perdoar de todos os nossos pecados.

Não há homem justo sobre a terra que faça o bem e que não peque.

Eclesiastes 7.20

Observação sem julgamento?

Outro tópico importante do livro, que não está totalmente de acordo com os ensinamentos bíblicos, é que deveríamos deixar de lado “a comunicação alienante da vida” que “nos prende num mundo de ideias sobre o certo e o errado”.

O autor faz uma distinção entre “Juízo de valor”, que são as coisas que acreditamos serem certas e erradas e “julgamentos moralizadores” onde julgamos os outros por esse filtro.

A ideia politicamente correta dos dias de hoje é de que o certo para mim pode não ser o certo para o outro e o errado para mim pode não ser o errado para o outro, e “tudo bem”.

Como cristãos acreditamos que o certo é o que agrada a Deus e o errado é tudo aquilo que não o agrada. Mas também sabemos que não podemos julgar os outros, não sabemos o que se passa no coração de cada um.

Mas aí existe uma grande diferença entre julgamento e amor ao próximo.

Nós não acreditamos que exista “certo e errado” relativos.

Sabemos que existe o pecado e o primeiro passo é nos examinarmos, enxergarmos o nosso próprio pecado, nos arrependermos e por fim, ter vontade de compartilhar a Graça de Deus com outras pessoas.

Só após esse processo poderemos conversar com o nosso próximo, em amor, falando sobre o erro com o objetivo de falar sobre o perdão.

Não poderemos ter uma escuta atenta com nenhuma pessoa e nem compartilhar o amor de Deus se em nosso coração tiver o sentimento de que somos melhores do que a pessoa que se encontra em nossa frente. Aí mora o julgamento e como é difícil nos livrarmos dele…

Não julgueis, para que não sejais julgados. Pois, com o critério com que julgardes, sereis julgados; e, com a medida com que tiverdes medido, vos medirão também.

Mateus 7.1-2

Satisfazer as nossas necessidades e as necessidades dos outros

Como comentado acima, o autor fala sobre a abordagem que se baseia numa comunicação onde descobrimos quais são as nossas necessidades e as necessidades dos outros através de uma escuta empática.

Acho muito válida a ideia de ouvir com o intuito de nos entendermos melhor. Isso pode evitar muitos desentendimentos desnecessários na vida.

Acredito que uma pequena diferença de abordagem pode ser considerada por nós empreendedores cristãos.

Podemos utilizar esse processo para entendermos quais são as nossas necessidades, para analisarmos quais delas são agradáveis a Deus, quais não são e para, com o auxílio de Deus, abrir mão daquelas que não são saudáveis aos olhos de Deus.

É uma luta interna difícil que durará por toda a vida.

Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço.

Romanos 7.19

___________________________

É importante lembrarmos, como empreendedores cristãos, que muitas vezes iremos aprender novas teorias e abordagens, mas que sempre precisamos analisá-las em contraste com a Palavra de Deus.

Podemos tirar muito aprendizado com cursos e treinamentos em nossa vida profissional, inclusive com a abordagem da comunicação não-violenta, mas precisamos passar tudo pelo filtro da nossa fé.

Versículo da semana:

Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus.

Romanos 8.1

Post Anterior Próximo Post

Você também poderá gostar

Sem comentários

Deixe seu comentário